Boas Praticas Agronomicas
Edição 2026

Zoneamento agrícola de risco climático completa 30 anos orientando o plantio

Da redação · 4 min de leitura

Plantação de milho iluminada pelo sol baixo

Em 1996, o Brasil publicou seu primeiro zoneamento agrícola de risco climático, voltado ao trigo. Três décadas depois, o instrumento conhecido pela sigla Zarc cobre dezenas de culturas, é consultado por produtores, bancos e seguradoras e se tornou uma das ferramentas mais influentes da política agrícola brasileira. Os 30 anos, completados em 2026, são uma boa oportunidade para entender como ele nasceu e por que ganhou tanto peso.

Um problema antigo: perdas por clima

Até meados da década de 1990, perdas de safra provocadas por seca, geada ou excesso de chuva eram frequentes e caras, tanto para o produtor quanto para o poder público, que respondia por programas de garantia da atividade agropecuária. Uma parte importante dessas perdas estava ligada a plantios feitos em locais ou épocas de alto risco climático, sem base técnica.

A proposta do zoneamento foi atacar esse ponto: usar dados de clima, solo e das próprias culturas para indicar, com antecedência, onde e quando plantar com menor chance de perda. Os estudos começaram pelo trigo, cultura particularmente sensível a geadas e chuvas na colheita, e em pouco tempo se estenderam a arroz, milho e soja, as grandes lavouras do país.

Como o zoneamento agrícola de risco climático funciona

O Zarc é resultado de uma modelagem que cruza séries históricas de chuva e temperatura, características dos solos e exigências de cada cultura em cada fase de desenvolvimento. O modelo simula, para cada município e cada período de semeadura, a probabilidade de a lavoura enfrentar eventos adversos em momentos críticos, como deficiência hídrica na floração ou geada no enchimento de grãos.

O resultado é apresentado de forma bem objetiva:

Na prática, o produtor consulta o zoneamento da cultura para o seu município e verifica em quais decêndios a semeadura se enquadra no risco aceitável.

Referência para crédito e seguro rural

O que fez o Zarc sair do papel e entrar na rotina do campo foi sua ligação com o financiamento. Ao longo dos anos, seguir o zoneamento passou a ser condição para acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária e para receber a subvenção federal ao prêmio do seguro rural, além de ser observado na concessão de crédito oficial.

Essa regra teve um efeito duplo. Para o produtor, significou um incentivo claro a plantar dentro das janelas recomendadas. Para bancos e seguradoras, trouxe uma base técnica comum para avaliar o risco das operações. O resultado foi a redução de perdas e de indenizações ligadas a plantios fora de época.

Trinta anos de ampliação

Desde os primeiros estudos para o trigo, o zoneamento foi ampliado para dezenas de culturas anuais e perenes, além de sistemas de cultivo como a segunda safra e consórcios. A metodologia também evoluiu: incorporou mais estações meteorológicas, séries climáticas mais longas, classificações de solo mais detalhadas e, mais recentemente, aprimoramentos para considerar melhor a disponibilidade de água no solo.

O trabalho é coordenado pelo Ministério da Agricultura, com base técnica desenvolvida pela Embrapa e parceiros de pesquisa, e as portarias com os zoneamentos são publicadas e revisadas periodicamente.

Como o produtor pode usar o Zarc

Mais do que uma exigência burocrática, o zoneamento é uma ferramenta de planejamento. Algumas formas de aproveitá-lo:

O zoneamento indica probabilidades, não certezas. Ainda assim, trinta anos de uso mostram que decidir com base nele reduz a exposição da lavoura aos piores cenários do clima.

Dúvidas mais frequentes

Quando o Zarc foi criado? O primeiro zoneamento agrícola de risco climático foi publicado em 1996, para a cultura do trigo. Nos anos seguintes, foi ampliado para arroz, milho, soja e dezenas de outras culturas.

Plantar fora do zoneamento é proibido? Não é proibido, mas o produtor que planta fora da janela indicada pode perder o acesso ao Proagro, à subvenção do seguro rural e a condições de crédito que exigem o cumprimento do zoneamento.

O Zarc vale para todas as cultivares? O zoneamento considera grupos de cultivares por ciclo e as indicações de cultivares aptas, e a consulta deve considerar o ciclo da cultivar escolhida e o tipo de solo do talhão.

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