O milho Bt: essencial à segurança alimentar, pois é muito menos suscetível às contaminações por micotoxinas

As micotoxinas são um problema para a saúde humana e animal. A resistência às pragas, presente no milho Bt, auxilia a diminuir esse risco.

Os agricultores têm pulverizado a forma natural a bactéria Bacillus thurigiensis (Bt) para controle de insetos-praga há quase um século com grande efeito e sem riscos ambientais, pois a toxina interage apenas com insetos-alvo.

Com a biotecnologia, foi possível introduzir genes da B. thurigiensis que resultam na produção de proteínas inseticidas em plantas de milho para que elas atuassem contra as principais pragas da cultura. Com isso, aumentamos a eficiência do uso do Bt nas lavouras, levando doses de inseticidas mais altas, na própria planta, e presentes em todo o ciclo da cultura.

Além disso, a biotecnologia Bt no milho também trouxe benefícios para o armazenamento e pós-colheita do cereal, principalmente na redução da infecção dos grãos por micotoxinas.

Saiba mais sobre o Milho Bt

As micotoxinas são metabólitos produzidos naturalmente por fungos filamentosos, em alimentos e rações pré e pós-colheita. No entanto, são considerados tóxicos. Podem ser encontrados em produtos como nozes, milho, arroz e vários outros cereais, com potencial de contaminação no campo durante a colheita ou no armazenamento. Por levarem à contaminação da cadeia alimentar, resultando em perdas econômicas e graves problemas de saúde aos animais e seres humanos, seus níveis devem controlados.

Micotoxinas ameaçam a segurança alimentar

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)  estima que 25% das culturas alimentares agrícolas estão significativamente contaminadas por micotoxinas, 20% das quais provenientes de países em desenvolvimento.

Esse percentual elevado de contaminação pode resultar em perdas expressivas de alimentos. Afinal, os níveis aceitos de resíduos com micotoxinas em alimentos e rações devem ficar dentro de limites que não impactem na saúde. Por isso, os produtos agrícolas são fiscalizados quanto às micotoxinas antes de serem comercializados.

Mas, é fácil prever que as perdas decorrentes da presença excessiva das micotoxinas, ameacem a segurança alimentar.

Existem mais de 300 micotoxinas conhecidas com diferentes efeitos nas plantas, animais e saúde humana. Mas, em geral, são produzidas por fungos que se desenvolvem melhor em culturas danificadas por insetos ou outras pragas.

Duas das micotoxinas mais prevalentes na agricultura são as fumonisinas e as aflatoxinas. As fumonisinas são encontradas quase exclusivamente no milho, enquanto as aflatoxinas podem ser encontradas no milho, no algodão, no amendoim, no pistache e nas amêndoas e nozes.

micotoxinas no milho bt

Micotoxinas: um perigo oculto

A ingestão das micotoxinas nem precisa ser feita diretamente pelos humanos para causar danos à saúde. O consumo de carne e leite, por exemplo, oriundos de animais contaminados por micotoxinas pode afetar as pessoas.

micotoxinas no milho bt

Uma vez que as micotoxinas prejudicam o desempenho animal e a qualidade de seus subprodutos e derivados, é fácil concluir que a presença dessas substâncias representa um risco à saúde pública e pode proporcionar grandes perdas econômicas na produção.

Sem deixar de mencionar que as micotoxinas reduzem a renda, encarecem a comercialização, afetam as exportações de grãos e derivados e, elevam o custeio da saúde pública no Brasil.

Sem avaliação e fiscalização, os animais podem consumir essas substâncias por meio de rações e concentrados, podendo resultar em problemas de fertilidade, enquanto em humanos, a presença de micotoxinas em alimentos pode ser cumulativa, levando a cânceres e doenças de imunodeficiência.

A fiscalização dos lotes de grãos e cereais é de responsabilidade conjunta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Quando identificadas irregularidades, as empresas podem sofrer sanções que variam desde notificação até multas de R$ 1,5 milhão e descarte de todos os lotes contaminados.

Milho Bt traz benefícios à saúde humana

Os estudos revelam que os níveis de micotoxinas são reduzidos aproximadamente pela metade no milho Bt em comparação com o milho convencional cultivado no mesmo local.

Considerando os riscos que as micotoxinas podem trazer à saúde humana, utilizar tecnologias que diminuem consideravelmente esse tipo de contaminação pode gerar melhora na qualidade de vida das pessoas.

Pesquisa com milho Bt

Um estudo que avaliou 21 anos de produção de milho, identificou que o milho Bt continha concentrações mais baixas de micotoxinas (29%), fumonisinas (31%) e tricotecenos (37%) em comparação ao milho não Bt. A pesquisa concluiu que os efeitos inseticidas encontrados no milho Bt podem resultar em outros benefícios que interferem significativamente na saúde humana.

Saiba tudo sobre Manejo de Resistência a Insetos em milho Bt

Já no final da década de 1990 foi descoberto pela primeira vez que o milho Bt tinha níveis mais baixos da doença fúngica ‘podridão da espiga’ do que plantas não-Bt.  Isso foi constatado quando os pesquisadores encontraram que a partir do controle da broca do colmo (Ostrinia nubilalis), feito pelo milho Bt, havia menor infecção pelo Fusarium verticillioides.

Desta forma, a adoção do milho Bt pelos agricultores, além de facilitar o manejo da lavoura, diminui significativamente as micotoxinas, podendo ser suficiente para impactar tanto o mercado interno quanto o internacional e de gerar uma alimentação de melhor qualidade e quantidade.

Principais fontes:

Chukwudi, U.P. et al., Mycotoxins in Maize and Implications on Food Security: A Review. Agricultural Reviews, 2021.

Pellegrino, E. et al., Impact of genetically engineered maize on agronomic, environmental, and toxicological traits: a meta‐analysis of 21 years of field data. Scientific Reports, 2018.

Smyth SJ. The human health benefits from GM crops. Plant Biotechnology Journal, 2020.

Yu, J., Hennessy, D.A. & Wu, F. The Impact of Bt Corn on Aflatoxin-Related Insurance Claims in the United States. Scientific Reports, 2020.