O refúgio agrícola na soja Bt

O refúgio na soja Bt é imprescindível para a sustentabilidade da tecnologia e dos benefícios que ela entrega.

A primeira soja transgênica Bt foi disponibilizada para os agricultores no Brasil em 2013. Nesse mesmo ano, as plantas da soja Bt já estavam em 1,2 milhão de hectares e ultrapassando os 20 milhões de hectares nas últimas safras.

A soja Bt foi desenvolvida por meio do melhoramento genético e técnicas da biotecnologia. A planta recebeu genes da bactéria Bt (Bacillus thuringiensis), comumente encontrada no solo. Essa bactéria produz proteínas inseticidas para as principais pragas que atacam as lavouras de soja, como:

pragas controladas pela soja Bt

A soja Bt, juntamente com outras culturas resistentes a insetos, tem se mostrado uma aliada dos agricultores na busca por uma lavoura mais protegida e, consequentemente, mais produtiva.

Benefícios da soja Bt

A alta eficácia da soja Bt contra pragas de lepidópteros, como C. includens e A. gemmatalis , as principais pragas da soja no Brasil se traduz em maior facilidade de manejo e resulta em menor número pulverizações de inseticidas para o controle de larvas de lepidópteros identificados após seu uso comercial no Brasil [3].

No Brasil, desde a introdução das sementes de soja geneticamente modificadas (GM) em 1998, ano da aprovação da primeira soja transgênica (uma variedade tolerante a herbicida), o manejo da lavoura de soja mudou drasticamente.

Em 2013, foi incorporada a tecnologia de resistência a insetos (Bt) à cultura graças à biotecnologia. As mudanças no manejo da lavoura se acentuaram ainda mais. De fato, a característica de tolerância a herbicida e resistência a insetos contribuíram para que a produtividade da oleaginosa, entre 1998 e 2017, aumentasse 43% no País, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O número cresceu de 2,3 toneladas por hectare para 3,3 toneladas por hectare. Oito anos após seu primeiro cultivo comercial, mais de 30 milhões de hectares foram cultivados com essa tecnologia no Brasil (80% da área de soja do país) na safra 2020/21 [2].

Insetos resistentes à soja Bt

O desenvolvimento de resistência em populações das pragas-alvo a plantas transgênicas que expressam proteínas inseticidas Bt tem sido a principal ameaça à sustentabilidade e aos benefícios dessas tecnologias.

Quando um refúgio estruturado de plantas não Bt está disponível perto de um campo Bt , os raros insetos resistentes homozigotos que sobrevivem nas lavouras Bt acasalam com os insetos suscetíveis homozigotos relativamente abundantes no refúgio.

O refúgio é uma parte da área da lavoura que não contém genes Bt. Essa área é responsável por gerar uma abundância de pragas-alvo suscetíveis a tecnologia inseticida. Ou seja, os insetos suscetíveis acasalam com os resistentes raros que sobrevivem na cultura Bt, produzindo descendentes que não sobrevivem às proteínas Bt. Por isso, o refúgio pode retardar a resistência das pragas à soja Bt, aumentando a eficácia a longo prazo da tecnologia.

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Como fazer o refúgio na lavoura de soja Bt?

É importante ficar atento à estrutura da área de refúgio. A porcentagem de plantas não Bt a serem utilizadas varia de acordo com a cultura.

No caso da soja, 20% da safra deve ser plantada com sementes convencionais. Além disso, as Áreas de Refúgio devem estar localizadas a uma distância máxima de 800 metros da lavoura com tecnologia Bt.

como fazer o refúgio? modelos de plantio de áreas de refúgio

As plantas devem ser da mesma espécie, além de ter porte e ciclo igual ao da variedade Bt. É importante se atentar para que as cultivares utilizadas na lavoura Bt e no refúgio possuam a mesma tolerância a herbicidas, facilitando assim o manejo e evitando riscos de perdas por deriva.

Além disso, a localização do refúgio deve ser cuidadosamente escolhida, garantindo o maior número possível de acasalamentos entre os insetos das duas áreas. Para isso, o agricultor deverá ter no seu planejamento de safra quais sementes não Bt utilizará nas áreas de refúgio nas porcentagens recomendadas.

Manejo da área

As áreas de refúgio podem ser manejadas como o restante da lavoura, com pulverizações de inseticidas ou a adoção de outros métodos de controle, sempre que as populações das pragas atingirem o nível de dano econômico (NDE).

A implementação de um programa efetivo de Manejo Integrado de Pragas (MIP) junto com o Manejo de Resistência a Insetos (MRI) é fundamental.

O monitoramento de pragas deve ser realizado tanto nas áreas de lavoura Bt, quanto nas áreas de refúgio. Para isso, alguns detalhes precisam ser levados em conta durante essa prática, principalmente o estágio de desenvolvimento das pragas presentes nos cultivos.

Na hora de manejar o refúgio é preciso realizar o mínimo de pulverizações de inseticidas, sempre alternando o modo de ação do produto.

O plantio de refúgio é a principal ferramenta dos programas de MRI e tem sido eficaz em retardar o aparecimento de resistência em pragas nos países com maior histórico de uso destas tecnologias.

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Principais fontes:

  1. Bernardi, O. et al. High levels of biological activity of Cry1Ac protein expressed on MON 87701 × MON 89788 soybean against Heliothis virescens (Lepidoptera: Noctuidae). Pest Managenament. Science, 2014.
  2. Horikoshi, R.J., Bernardi, O., Godoy, D.N. et al. Resistance status of lepidopteran soybean pests following large-scale use of MON 87701 × MON 89788 soybean in Brazil. Scientific Reports, 2021.
  3. Horikoshi, R.J., Dourado, P.M., Berger, G.U. et al. Large-scale assessment of lepidopteran soybean pests and efficacy of Cry1Ac soybean in Brazil. Scientific Reports, 2021.
  4. BIP soja 2021. Spark Smarter Decisions, Valinhos, SP. http://spark-ie.com.br, 2021.