Controle de pragas da cana-de-açúcar

Você sabe como fazer o controle de pragas da cana-de açúcar? Sem um controle adequado, as pragas da podem causar sérios prejuízos à lavoura. Um exemplo disso é a broca-da-cana que, mesmo com apenas 1% de infestação, pode causar perda de 35 quilos de açúcar por hectare e 30 litros de álcool por hectare.

Controle de pragas da cana-de-açúcar

Embora a broca seja a principal praga dos canaviais, existem outras que devem ser controladas. Conheça as principais pragas da cana-de-açúcar e qual o método de controle mais eficiente para cada uma delas.

Broca-da-cana

Diatraea saccharalis

A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) é a principal praga da cana-de-açúcar no Brasil. Segundo especialistas, as perdas causadas pela broca podem chegar a R$ 5 bilhões por ano e os índices de danos têm aumentado nas últimas safras.

A lagarta é uma espécie da ordem lepidóptera e, na fase larval, atinge 2,3 centímetros. É nessa fase que ela causa danos à cultura pois, após alimentar-se das folhas, a lagarta jovem penetra no caule através das partes mais moles do colmo (bainha). Já na cana recém-rebrotada, a lagarta pode atacar os rebentos, causando secamento e apodrecimento da gema apical, fenômeno também conhecido como “coração morto”.

Em 2017, o Brasil aprovou a primeira cana transgênica do mundo, uma variedade Bt resistente à broca. A tecnologia oferece controle eficiente desta praga por conta da expressão de proteínas inseticidas na própria planta. Hoje, o País já conta com outra variedade geneticamente modificada com a mesma característica.

O controle biológico com parasitas naturais é outra opção para combater a população do inseto. Para esse caso, os parasitóides Cotesia flavipes, Trichogramma galoi, Metagonystilum minense e Paratheresia claripalpis são os mais utilizados. Isso porque eles se alimentam da própria praga, são de fácil manipulação e possuem baixo custo. A técnica faz parte do Manejo Integrado de Pragas (MIP), um conjunto de medidas usado para otimizar o controle de pragas agrícolas, doenças e plantas daninhas.

Também é importante adotar outras medidas simultaneamente, como uso de variedades resistentes e tolerantes e evitar o plantio de hospedeiras (arroz, milho e outras gramíneas) nas proximidades e realizar o corte da cana o mais rente possível do solo.


SAIBA MAIS
Broca-da-cana: a praga que compromete a qualidade do açúcar


 

Broca-Gigante

broca-gigante (Telchin licus)

GUZZO, Elio Cesar, Embrapa Tabuleiros Costeiros

A broca-gigante (Telchin licus), em sua forma larval, causa danos na cana. Nessa fase chega a medir 8 cm de comprimento e 1,2 cm de largura. É branca com uma única mancha castanha. Na fase adulta, a praga coloca ovos de 4 mm de comprimento com forma semelhante à fruta carambola e coloração que varia entre verde e marrom.

Após sair do ovo, as lagartas penetram no solo, cavando galerias de até 1 m de comprimento no interior do colmo. O inseto não desaparece após o corte da cana-de-açúcar e permanece alimentando-se dos rizomas e das raízes. Assim como a broca-da-cana, a broca-gigante também causa o fenômeno do “coração morto”.

Os danos causados pela broca-gigante e pela broca-da-cana são muito parecidos. A diferenciação entre eles, essencial no controle de pragas da cana, é feita medindo o diâmetro das galerias que elas abrem. A broca-gigante faz as maiores.

Para controlar a broca-gigante utilizam-se inimigos naturais, manejo cultural e semioquímicos. Essa combinação de métodos, quando bem aplicados, é eficiente, duradoura e seletiva. Mesmo assim, o método mecânico – catação manual de lagartas e pupas – ainda é utilizado.

Cigarrinha-da-raiz

Conhecida também como cigarrinha da cana (Mahanarva fimbriolata), essa praga ataca os vasos lenhosos da raiz, o que dificulta – e até impede – o fluxo de água e de nutrientes. A planta apresenta modificações visíveis, como afinamento do colmo e aparecimento de rugas na superfície externa.

As folhas também sofrem alterações, com manchas amarelas que, no futuro, tornam-se avermelhadas, e perda da capacidade de realizar fotossíntese. Isso acontece por causa das toxinas injetadas pelo inseto adulto na cana.

Uma das principais formas de controle é o biológico, por meio de microrganismos – o fungo Metarhizium anisopliae pode ser utilizado para este fim. Outra forma de controle é o químico, fazendo uso de inseticidas neonicotinóides. A aplicação desses produtos no estágio inicial de desenvolvimento da praga evita perdas irrecuperáveis na lavoura.

Formigas

formiga saúva

Formiga saúva

Os dois grupos de formigas cortadeiras que apresentam maior risco para a cana são as saúvas e as quenquéns. Apesar de serem parecidas, é possível diferenciar as espécies pelo ninho. O das saúvas pode atingir mais de cinco metros, enquanto o tamanho máximo que o ninho das quenquéns atinge é dois metros.

As formigas causam danos praticamente o ano todo, reduzindo a área foliar das plantas por longos períodos, trazendo como consequência o atraso e o definhamento da cultura. Estima-se que um sauveiro adulto (três anos de idade) consome o equivalente a três toneladas de cana por ano. O controle deve ser rigoroso, utilizando formicidas (pó, isca ou gás).

Cupins

Nasutitermes spp

Nasutitermes spp
David Cappaert, Bugwood.org

As espécies de cupins que são consideradas pragas da cana-de-açúcar são: Heterotermes tenuis; Procornitermes spp.; Neocapritermes spp.; Nasutitermes spp.; Syntermes molestus; Amitermes spp.; Rynchotermes spp.; Cornitermes spp. As perdas provocadas por essas espécies chegam a 10 toneladas de cana por hectare por ano.

Os cupins são insetos de hábito subterrâneo e danificam a lavoura silenciosamente. Os principais danos ocorrem na fase inicial da cultura, eles atacam os toletes recém-plantados, danificando as gemas e trazendo, como consequência, falhas na germinação.

O controle deve ser feito no momento de instalação da lavoura, aplicando inseticidas de longo poder residual no solo.

Besouros

Há dois tipos de besouros que comprometem a cultura canavieira: o Migdolus fryanus e o Sphenophorus levis – também conhecido como gorgulhão-rajado ou besouro-da-cana.

Migdolus fryanus

Migdolus fryanus

Nathan Lord, Longicorn ID, USDA APHIS PPQ, Bugwood.org

O besouro ataca a plantação em sua fase larval e pode resultar em perda total da lavoura. A praga, porém, possui baixa capacidade reprodutiva (aproximadamente 30 ovos por fêmea e os machos sobrevivem apenas até 4 dias de vida. Além disso, as fêmeas não têm asas funcionais, impossibilitando, de certa maneira, a disseminação da espécie.

As larvas podem perfurar o rizoma e alimentar-se dele, destruindo-o completamente. Em plantas jovens de cana, as touceiras ficam parcial ou absolutamente secas. Em plantas mais desenvolvidas, toda a parte aérea seca e o sistema radicular é destruído. O período de maior prejuízo é entre os meses de abril e setembro, diminuindo com a chegada das chuvas.

O controle de pragas da cana é trabalhoso, e deve ser feito com três técnicas simultâneas: controle mecânico, controle cultural e controle químico.

  1. Controle mecânico
    Consiste na utilização de medidas de controle que causem a destruição direta dos insetos ou que impeçam ou dificultem seu acesso à planta. Algumas técnicas que podem ser empregadas no controle mecânico são a catação manual, as armadilhas e o fogo.
  2. Controle cultural
    Refere-se a práticas de plantio cujo objetivo é controlar a praga, baseando-se na utilização dos conhecimentos ecológicos e biológicos das pragas da cana-de-açúcar. São exemplos desse tipo de controle: rotação de culturas, época de plantio e colheita, destruição de restos da cultura e aração.
  3. Controle químico
    É a utilização de defensivos químicos.

 

A integração de métodos de controle possibilita ao agricultor melhores resultados no controle de pragas.

Sphenophorus levis

Sphenophorus levis

É a praga mais recente encontrada nos rizomas e no colmo das plantas de cana-de-açúcar. Quando tocado, o inseto se finge de morto. O controle deve ser feito durante a reforma da lavoura, arando a terra e revolvendo restos culturais à procura das larvas. Assim, essas larvas ficam expostas ao sol e aos predadores naturais.

Após duas ou três semanas, recomenda-se realizar operação com enxada rotativa para triturar e acelerar a seca do material. Duas semanas mais tarde pode-se fazer o preparo do solo normalmente.

O produtor também pode optar por usar iscas envenenadas, mergulhadas em uma solução inseticida por 12 horas. Elas devem ser colocadas em contato com o solo e cobertas com capim.

Nematóides

São parasitas que atacam o sistema radicular das plantas, podendo causar até 20% de perda na lavoura. Para conter os danos, recomenda-se o controle químico e o varietal. O primeiro é a aplicação de substâncias nematicidas no solo, enquanto o segundo é o uso de variedades resistentes ou tolerantes.

Também pode ser utilizado o controle cultural. O controle varietal, porém, é considerado o método mais prático e econômico.

É essencial saber quais espécies de nematoides estão atacando a plantação, pois elas podem reagir de maneiras diferentes aos métodos de controle. Para identificar, deve ser realizada uma análise nematológica. A coleta do material segue os seguintes passos:

  • coletar amostras de raízes e solo, sendo fundamental a presença de raízes vivas;
  • realizar a coleta na profundidade de até 25 cm, em direção “ziguezague”;
  • as amostras devem ser feitas em separado para os diferentes tipos de solo, idade da planta, variedade e uso de insumos agrícolas;
  • recolher entre cinco e 10 amostras por hectare, misturá-las e formar uma única amostra composta com pelo menos 1 litro (l) de solo e 50 gramas (g) de raízes;
  • enviar as amostras para o laboratório, preservadas em sacos plásticos resistentes e identificados.

Vale lembrar da importância do monitoramento de pragas na lavoura da cana. Dessa forma é possível decidir qual o melhor método de controle. Dependendo da intensidade dos ataques, podem ocorrer danos irreversíveis às plantas.