Milho Bt

Conheça essa tecnologia indispensável

O milho Bt garante alta produtividade e ótimo retorno financeiro ao produtor. A tecnologia possui a característica de resistência a insetos que minimiza os danos causados por essas pragas nas lavouras. O resultado disso são benefícios diretos aos produtores. Por meio da biotecnologia, a composição genética das plantas de milho é modificada para aumentar sua eficiência.

Neste conteúdo você vai encontrar tudo sobre o milho Bt e seus benefícios, informações sobre seu cultivo, manejo e sobre como essa tecnologia ajuda no aumento da produtividade da lavoura.

Milho Bt

O milho Bt é o milho que recebeu genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). A planta geneticamente modificada que possui essa característica expressa proteínas inseticidas a determinados grupos de insetos, a exemplo da ordem Lepidóptera, da qual fazem parte a lagarta-do-cartucho-do-milho, a broca-do-colmo, a lagarta-da-espiga e a lagarta-elasmo. Há também proteínas que atuam no controle das ordens Coleoptera (besouros) e Diptera (moscas).

Diversos estudos comprovam que as proteínas Bt são eficientes no controle de pragas-alvo e não possuem qualquer efeito nocivo a outros organismos (a exemplo dos animais e seres humanos) ou ao meio ambiente. A comercialização do milho Bt no Brasil foi primeiramente aprovada em 2007 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Principal praga do milho Bt

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a principal praga que ataca a lavoura de milho. As perdas devido ao ataque dessa lagarta podem reduzir a produção em até 34%. As larvas do inseto raspam as folhas, podendo causar furos de formatos e tamanhos variados. Quando há grandes infestações, pode ocorrer a queda da planta.

praga do milho bt: Spodoptera frugiperda

PESSOA, Marina, Embrapa Milho e Sorgo

 

Dano da lagarta-do-cartucho

ARAUJO, Clenio, Embrapa Milho e Sorgo

O ataque da lagarta-do-cartucho ocorre também na espiga, sendo visto com mais intensidade em cultivos de milho de ciclo mais curto. O inseto também afeta plantações de soja e algodão.

Os ovos da lagarta-do-cartucho são de cor verde clara e com o tempo passam a ser alaranjados. A fase dos ovos dura entre dois e três dias, enquanto o período larval varia de 15 a 25 dias, dependendo do clima. As larvas em estágio inicial são claras e vão escurecendo, passando para a cor verde escura, quase preta.

Ovos Spodoptera frugiperda, praga do milho bt

Arquivo Embrapa

Quando começa a se alimentar das folhas das plantas, o inseto pode atingir mais de 2,5 cm de comprimento. Ao longo do dorso, a lagarta apresenta uma faixa com pontos pretos e três linhas branco-amareladas e na cabeça um desenho de “Y” invertido, características que facilitam sua identificação.

praga do milho bt lagarta-do-cartucho

PESSOA, Marina, Embrapa Milho e Sorgo

O inseto adulto é uma mariposa medindo cerca de 3,5 cm de envergadura. Apresenta uma coloração pardo-escura nas asas anteriores e branco-acinzentada nas asas posteriores. Sua reprodução é rápida: a fêmea pode pôr até 200 ovos por vez, chegando a 2 mil ovos durante a vida.

Para controlar a praga é necessário monitorar a lavoura. Essa prática analisa a situação das pragas e avalia danos e prejuízos, além de ajudar o agricultor a definir o melhor momento para a aplicação do inseticida.

O monitoramento é especialmente necessário para o Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura do milho Bt. A decisão de realizar ou não uma aplicação complementar de inseticida na lavoura depende de uma boa amostragem.

Para realizar esse procedimento com a lagarta-do-cartucho, deve-se amostrar 20 plantas em sequência, em pelo menos 5 pontos da lavoura, totalizando 100 plantas. A avaliação do nível de ação desse inseto é feita com base em uma escala visual de danos de zero a nove (0 – 9), conhecida como Escala Davis.

O nível de dano é atingido quando 20% das plantas apresentam nota igual ou superior a 3. Sempre que necessário realizar mais de uma aplicação de inseticida, lembre-se de alternar os modos de ação para evitar a seleção de insetos resistentes.

 

Consumo do milho Bt

O milho é um dos alimentos mais nutritivos que existem. Puro ou como ingredientes de outros produtos, é uma importante fonte de energética para a alimentação humana e animal.

As proteínas inseticidas produzidas pelo milho Bt para controle de insetos são consideradas seguras para o consumo. Devido à sua especificidade e seu modo de ação têm efeito somente sobre os insetos-alvo. Para que atuem, há a necessidade da ingestão dessas proteínas por organismos que possuam fluido gástrico alcalino. Esse é o caso de muitos insetos.

O homem, outros mamíferos e aves têm fluidos gástricos extremamente ácidos. Nesses casos, a proteína, ao invés de ter efeito tóxico, sofre alterações de forma e perde sua função.

Além disso, o milho Bt concentra 29% menos micotoxinas quando comparado ao milho não modificado. As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos que se alimentam do milho. Elas podem intoxicar animais e humanos que consumirem o alimento contaminado.

De acordo com a diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, todas as pesquisas confirmam a segurança desses produtos, desde o princípio atestada por inúmera agências reguladoras em todo o mundo.

Adoção do Milho Bt

A adoção dessa tecnologia é vantajosa para o agricultor por conta de sua eficiência no controle de pragas. A proteína inseticida, por ser produzida pela própria planta, está presente do início ao fim do ciclo da cultura. Além disso, essa permanência evita problemas de lavagem pela água ou degradação pela luz, como ocorre com formulações de inseticidas convencionais.

Desde a aprovação do milho Bt no Brasil, em 2007, a milhocultura começou a alcançar níveis de produtividade que antes eram considerados inatingíveis por muitos produtores. De 2008 a 2017, a adoção do milho Bt nas safras de verão e inverno saltou de 4,9% para 74,7% e de 14,7% para 86.7% respectivamente.

Manejo do Milho Bt

O manejo adequado das principais pragas-alvo das proteínas Bt garante a eficiência e produtividade do milho Bt. Também contribui para a racionalização do uso de inseticidas. Atualmente, os eventos Bt têm diferentes níveis de controle para cada espécie de praga-alvo. Sua utilização pode ser considerada uma tática complementar ao Manejo Integrado de Pragas (MIP).

É essencial também a adoção do refúgio agrícola, sistema que consiste na plantação de uma porcentagem de milho convencional entre as áreas de milho Bt. O objetivo é prevenir ou retardar a evolução da população de pragas resistentes.

Esse processo garante sustentabilidade no sistema de produção e a rentabilidade para o agricultor, já que propicia a adoção da tecnologia Bt por mais tempo. O manejo inadequado pode favorecer o desenvolvimento das pragas resistentes que não serão mais controladas por essa tecnologia.

 

Benefícios do Milho Bt

O cultivo da variedade oferece vantagens para os produtores.

  • Eficiência no controle de pragas:
    O agricultor evita gastos desnecessários com inseticidas para o controle da lagarta-do-cartucho e outros insetos-praga, o que traz vantagens econômicas. Isso também economiza tempo, já que não será preciso fazer várias aplicações.
  • Economia de água e de combustível:
    Como o agricultor não precisará aplicar inseticidas com a mesma frequência, pode haver a redução do uso do trator na lavoura. Isso reduz, consequentemente, o uso de combustível. Também resulta em menos poluição do ar, de rios e do solo. A adoção do milho Bt também ajuda a economizar água, uma vez que o produtor não precisa pulverizar a lavoura com tanta frequência;
  • Mais segurança para o produtor:
    A menor exposição do trabalhador aos inseticidas impacta positivamente em sua saúde. Estudos revelam que a maioria das intoxicações por defensivos agrícolas se dá por exposição direta e não pelo consumo dos alimentos tratados com eles.

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Outras culturas Bt

No Brasil, além do milho, soja, algodão e cana contam com a tecnologia Bt. para ajudar no combate às pragas e, consequentemente, manter ou aumentar a produtividade da lavoura. As folhas das culturas nas quais essa inovação está presente expressam uma ou mais proteína (s) inseticida (s). Quando ingeridas pelo inseto-alvo, essas proteínas se ligam à parede do intestino desse inseto. Isso causa danos ao sistema digestivo, levando o inseto à morte.

história da cultura bt