Plantio Direto: prática revolucionária da agricultura brasileira

O Sistema de Plantio Direto (SPD) é uma forma de manejo do solo que envolve técnicas recomendadas para aumentar a produtividade, conservando ou melhorando continuamente o ambiente de cultivo. Suas principais técnicas são:

  • Ausência ou mínimo revolvimento do solo
  • Cobertura do solo com palhada
  • Rotação de culturas.

Várias práticas e tecnologias usadas no campo oferecem soluções para alguns dos desafios atuais e futuros da agricultura. As práticas viabilizam a exploração de agrossistemas produtivos, com uso reduzido de defensivos agrícolas. O SPD é utilizado no Brasil desde a década de 1970 com excelentes resultados.

Sistema de plantio direto, agricultura de precisão e técnicas modernas e mais eficientes de irrigação e biotecnologia são exemplos. Essas tecnologias contribuem para manter e até aumentar a produção, sem promover o avanço do cultivo para novas áreas.

Paulo Roberto Arbex Silva, professor de Mecanização Agrícola. "O sistema de plantio direto é essencial para manter as características físicas, químicas e biológicas, garantindo a sustentabilidade do solo"
Paulo Roberto Arbex Silva, professor de Mecanização Agrícola.

Técnicas do Sistema de Plantio Direto

O plantio direto é composto por três técnicas: ausência ou mínimo revolvimento do solo, cobertura do solo com palhada e rotatividade de culturas. Entenda cada uma delas:

Ausência ou mínimo revolvimento do solo

Não remexer ou mexer minimamente no solo é a base do plantio direto. O indicado por agrônomos é o revolvimento do solo apenas na linha de semeadura, onde são depositadas as sementes.

Revolvimento significa inverter as camadas do solo com o uso de arado para que o plantio seja feito.

Esse método do sistema convencional de plantio é muito usado em países de clima temperado e frio. Lá, o solo exposto a geadas e neve precisa receber calor pra ser cultivado.

O Brasil tem clima subtropical e tropical, ou seja, quente e úmido na maior parte das regiões. Por isso dispensa o revolvimento da terra, uma vez que não será necessário produzir calor para o plantio da semente.

Cobertura de palhada

A palhada é a matéria orgânica formada pelos restos da planta colhida. A máquina colhedora retira a planta da terra e separa os grãos. Os galhos, folhas e raízes são triturados e pulverizados de volta ao solo. O processo todo ocorre simultaneamente.

Os benefícios de uma boa cobertura de palhada:

  • Ajuda a reduzir o impacto da gota da chuva na superfície do solo;
  • Age como obstáculo ao excesso de água que não infiltrou no solo;
  • Impede o transporte e o arrastamento de partículas pela enxurrada;
  • Ajuda a manter a temperatura ideal para as plantas;
  • Diminui a perda de água por evaporação.

Dessa forma, minimiza ou elimina a chance de ocorrência de erosão.

Cultivo de milho em Plantio Direto

Cultivo de milho em Plantio Direto. KURTZ, Paulo, Embrapa 2013

A formação da palhada para cobertura depende de fatores como:

  • Culturas utilizadas
  • Sequência de culturas que compõem o sistema de rotação
  • Condições climáticas durante todo o ciclo das culturas.

O processo pode levar até dez anos.

Rotação de culturas

A rotação de culturas é a alternância planejada de espécies em uma mesma área de cultivo. Sendo assim, há um período mínimo sem o cultivo da mesma espécie.

Essa é uma forma eficiente de reduzir os impactos ambientais provocados pela monocultura, melhorando as condições físico-químicas e biológicas do solo no longo prazo.

Além disso, a rotação de culturas reduz a incidência de doenças, plantas daninhas e pragas (favorecendo a quebra do ciclo de vida delas).

Intercalar o plantio de soja-algodão-soja ou soja-milho-soja não é fazer rotação, mas sim uma sucessão de culturas. Sucessão é a sequência repetitiva de culturas cultivadas na mesma área e em estações diferentes, mas em um mesmo ano agrícola.

Em outras palavras, nem toda sucessão é uma rotação de culturas, mas a rotação é sempre uma disposição de culturas em sucessão.

Por definição, a sucessão de culturas não implica a alternância regular e ordenada de espécies, algo imprescindível na rotação.

Benefícios do Sistema de Plantio Direto

A adoção do plantio direto traz benefícios agrícolas, econômicos e ambientais para a sociedade como um todo: produção sustentável de grãos, geração de emprego e renda. Veja alguns benefícios do sistema, segundo o Livro Sistema de Plantio Direto, da Embrapa:

  • Diminui ocorrência de erosão, aumentando a conservação do solo e da água;
  • Melhor germinação de sementes e melhor emergência de plantas;
  • Há otimização do uso fertilizantes e corretivos;
  • Mantém temperatura ideal do solo;
  • Melhora a qualidade do solo;
  • Traz aumento de matéria orgânica e de carbono do solo;
  • Solo fica mais fértil com a reciclagem de nutrientes;
  • Aumenta a atividade biológica e da estabilidade da estrutura do solo;
  • Reduz a compactação do solo;
  • Auxilia na infiltração da água e reposição da água subterrânea.
  • Reduz custos de produção e melhor relação benefício/custo;
  • Possibilita a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF);
  • Pode ser adotado em pequenas, médias e grandes propriedades rurais;
  • Traz economia de combustíveis, tempo e mão de obra;
  • Promove aumento de produtividade e renda;
  • Está entre os sistemas que promovem a redução de emissão de CO2 e de outros Gases de Efeito Estufa.
O SPD foi incluído no Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas. O objetivo foi a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC) como parte do compromisso internacional assumido pelo Brasil, em 2009, de reduzir suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) entre 36,1% e 38,9% até 2020.
José Laércio Favarin, engenheiro agrônomo e doutor em solos e nutrição de plantas. "Além de o plantio direto ser menos agressivo, cerca de 80% da fertilidade do solo depende da matéria orgânica, e o sistema permite a manutenção e aumento desses teores."
José Laércio Favarin, engenheiro agrônomo e doutor em solos e nutrição de plantas.

O sistema tem ganhado cada vez mais espaço por conta de seus benefícios. Mas é importante lembrar que o produtor deve seguir todos os procedimentos padrões indicados pelo SPD.

Requisitos para implantar o Sistema de Plantio Direto

Para implantar o Sistema de Plantio Direto, o produtor deve:

  • Estar consciente e predisposto a aceitar uma nova forma de manejar o ambiente;
  • Dispor de assistência técnica especializada;
  • Escolher, para o sistema, áreas sem problemas de compactação, de erosão ou de plantas daninhas de difícil controle;
  • Ter disponibilidade de maquinários específicos e bem regulados (semeadoras e pulverizadores);
  • Ter cultivado espécies vegetais que promovam boa cobertura do solo e produção de palha;
  • Programar e desenvolver um esquema bem organizado de rotação de culturas.

Sistema convencional x Sistema de Plantio Direto

Diferentemente do Sistema de Plantio Direto, no sistema convencional de cultivo é feito, ano após ano, o revolvimento da terra. O solo fica exposto até o estabelecimento da cultura que será plantada. Veja o passo a passo da comparação dos dois sistemas:

Gráfico comparativo Plantio convencional Plantio Direto

Sistema Plantio Direto: Pioneirismo no Paraná

Foi um agricultor catarinense, Herbert Bartz, que implantou, na década de 70 o Sistema de Plantio Direto no País. O agricultor aplicou na sua propriedade em Rolândia, no norte do Paraná, a técnica aprendida nos Estados Unidos.

O objetivo era amenizar os efeitos da erosão causada pelo grande volume de chuvas na região. Assim, as camadas férteis eram levadas pelas chuvas causando o assoreamento dos rios. Com o tempo, o precursor do SPD viu a rentabilidade aumentar e os gastos com defensivos e combustível diminuir.

No final da década de 1980 houve a expansão do uso do SPD na Região Sul. Com a chegada de máquinas semeadoras para realizar o corte da palha e depositar as sementes no solo sem revolvê-lo, o sistema ganhou força e outras regiões.

Hoje o plantio direto representa 19% dos sistemas de preparo do solo adotados pelos agricultores no Brasil. O mais usado é o cultivo convencional (45%), seguido do cultivo mínimo (36%). O dado preliminar é do Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Gráfico pizza de sistemas de preparo do solo

Fonte: Censo Agro 2017 IBGE.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Embrapa Solos, Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação.