O que são Boas Práticas Agronômicas?

A adoção de Boas Práticas Agronômicas no campo é essencial para que o produtor obtenha o máximo rendimento de sua lavoura de uma maneira sustentável. Aqui você confere quais são elas, a importância de cada uma e como adotá-las.

O que são as Boas Práticas Agronômicas?

As Boas Práticas Agronômicas são um conjunto de técnicas de manejo que ajudam o agricultor a ter mais eficiência e a fazer o uso sustentável da biotecnologia no campo. A aplicação das Boas Práticas em conjunto com a adoção de sementes resistentes a insetos (Bt) contribui para a redução de perdas em culturas de soja, milho e algodão transgênicos. Isso aumenta a produtividade e qualidade do produto final.

Boas Práticas Agronômicas

Dessecação antecipada Sementes certificadas tratamento de sementes Áreas de refúgio Controle de plantas daninhas

Um programa efetivo de Boas Práticas Agronômicas em culturas Bt é composto por:

  • Dessecação pré-plantio
  • Sementes certificadas
  • Tratamento de sementes
  • Refúgio Agrícola
  • Controle de plantas daninhas
  • Monitoramento de pragas.

Dessecação pré-plantio

A dessecação pré-plantio é a dessecação realizada antes do plantio. A técnica evita que culturas antecessoras, plantas daninhas e voluntárias presentes no ambiente de plantio Bt, hospedem pragas que possam atacar a plantação em suas fases iniciais de desenvolvimento. A existência de plantas que podem servir de abrigo para pragas é um dos fatores que pode resultar em aumento de espécies resistentes à tecnologia Bt, colocando em risco a lavoura.

Recomenda-se fazer a dessecação 30 dias antes do plantio, o que proporciona maior eficiência no uso de inseticida na segunda dessecação (antes da semeadura). O momento ideal para a aplicação também pode variar de acordo com a região em que está localizada a lavoura, por causa das condições climáticas.
Na primeira ocorrência, a cobertura verde diminui sua intensidade, eliminando o efeito guarda-chuva para o inseticida. A prática reduz a população inicial de pragas e controla lagartas resistentes, mesmo que em estágios mais avançados. Isso evita danos para o produtor.
Além disso, a dessecação pré-plantio torna o corte da palhada pela plantadeira mais fácil e faz com que a palhada seca permaneça no período de germinação da cultura – ajudando a proteger o solo de umidade.

Benefícios da dessecação pré-plantio

  1. uniformidade de maturação;
  2. antecipação da colheita (podendo variar entre 3 e 7 dias);
  3. aumento de qualidade dos grãos colhidos;
  4. facilidade no manejo das plantas daninhas;
  5. redução de perdas na colheita.

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Sementes Certificadas

O processo de certificação tem como objetivo a produção de sementes com controle de qualidade garantido em todas as etapas, incluindo o conhecimento da origem genética e o controle de gerações, conforme define o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O uso de sementes certificadas garante o desempenho da variedade plantada.

A utilização de semente certificada é a primeira e mais importante decisão no que diz respeito ao Manejo de Resistência de Insetos (MRI). Isso garante ao produtor segurança sobre o grão cultivado e seus benefícios.

É altamente desaconselhável o uso de sementes ilegais. A escolha pode reduzir a produtividade da lavoura e também aumentar o risco de propagação de insetos e outras pragas. Esse tipo de semente também encarece a produção, pois geralmente demanda uma maior aplicação de defensivos agrícolas. O MAPA realiza ações para fiscalizar a pirataria de sementes, tanto na produção quanto na comercialização.


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Tratamento de sementes

O tratamento de sementes é feito com aplicação de ingredientes químicos e/ou organismo biológicos nas sementes. A técnica protege o potencial genético do grão, ajudando a controlar e até evitar pragas e doenças na lavoura, além de auxiliar o estabelecimento das plantas não Bt nas áreas de refúgio. As sementes tratadas são exclusivamente para plantio, e não para alimentação humana ou animal.
Reguladores de crescimento, revestimento de sementes, corantes, inoculantes, micronutrientes e agentes de proteção a herbicidas também são considerados tratamento de sementes.
Para que a técnica seja eficaz, é importante fazer a escolha certa do produto químico. O recomendado é a utilização de produtos de amplo espectro, que proporcionem um controle eficiente de pragas. Além disso, recomenda-se que o produtor leia com atenção a bula do produto químico que pretende comprar, assim como as etiquetas de identificação das sementes quando tratadas e embaladas.

Benefícios do tratamento de sementes

  1. controle de pragas e doenças na fase inicial da cultura;
  2. manutenção do estande inicial da lavoura;
  3. auxílio no estabelecimento de plantas não Bt nas áreas de refúgio.

 

Adoção de áreas de refúgio agrícola

O refúgio agrícola é a principal ferramenta para retardar e evitar a instalação de populações de insetos-praga resistentes à tecnologia Bt. A técnica consiste na plantação de um percentual de semente convencional (soja, algodão, milho ou cana) em uma lavoura de sementes transgênicas Bt (Bacillus thuringiensis).

O refúgio deve ser feito na mesma propriedade e na mesma época em que a plantação da cultura Bt, e, preferencialmente, mantendo o mesmo sistema de produção. As plantas devem ser da mesma espécie, possuindo porte e ciclo iguais aos das plantas Bt. Caso as espécies não sejam as mesmas, recomenda-se que sejam o mais próximas possíveis.


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A adoção de áreas de refúgio tem como objetivo a sustentabilidade do sistema de produção e a rentabilidade do agricultor. Ao implantar áreas de refúgio, insetos resistentes e não resistentes irão cruzar, resultando em uma prole de indivíduos sensíveis à tecnologia Bt. A adoção do refúgio preserva a eficiência da semente Bt, trazendo benefícios a médio e longo prazo ao produtor.

Para cada cultura Bt plantada, há uma porcentagem recomendada em relação a área total cultivada na propriedade. Para o algodão, soja e cana recomenda-se 20% e para o milho o indicado é 10%.

Percentual do Refúgio Agricola

 

Controle de plantas daninhas

O controle de plantas daninhas está entre as Boas Práticas Agronômicas pois algumas plantas podem hospedar insetos-praga, permitindo que uma grande quantidade sobreviva e ataque a plantação. As plantas daninhas também são consideradas hospedeiras de lagartas em estágios em que é mais difícil controlá-las com a tecnologia Bt.

Práticas que ajudam no controle de plantas daninhas

  1. Comece a cultura no limpo, fazendo um controle efetivo antecipadamente no pré-plantio. Se necessário, utilize um pré-emergente em áreas que apresentem maior quantidade de plantas daninhas;
  2. Não deixe áreas em pousio: utilize as práticas integradas de manejo durante todo o ano;
  3. Utilize a dose correta de aplicação de produtos no momento recomendado;
  4. Use o manejo pós-colheita, associando herbicidas com diferentes mecanismos de ação;
  5. Monitore sempre os resultados da sua lavoura conforme a estratégia de manejo escolhida. Isso evita que você tenha trabalho dobrado na próxima safra;
  6. Evite a disseminação de sementes pelos implementos agrícolas.

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Milho Bt

Soja Bt


Monitoramento de pragas

A prática do monitoramento indica a situação das pragas, avalia os danos e prejuízos e ajuda a definir quando o defensivo agrícola deve ser aplicado. O monitoramento faz parte do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que aliado com a área de refúgio constitui a base para a sustentabilidade da tecnologia Bt. O monitoramento de pragas é uma técnica essencial para preservar a eficácia do refúgio e auxiliar na tomada de decisão.

O monitoramento deve ser feito, pelo menos, uma vez por semana para garantir a produtividade da plantação. Juntamente com o MIP, a implementação do programa de Manejo de Resistência de Insetos (MRI), usado especificamente para evitar insetos resistentes às proteínas Bt, é essencial para o controle de pragas.


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Por que devo adotar as Boas Práticas Agronômicas?

Quando o agricultor planta sementes Bt, ele elimina os insetos sensíveis à proteína Bt. Porém, se o produtor continuar a usar esse método de controle de pragas sem parar por safras contínuas, vai selecionar os insetos resistentes. Se o produtor utilizar em mais de uma safra o mesmo método, a cada safra uma parte maior de insetos resistirá.

Após algumas safras, a tecnologia não será mais eficaz e o agricultor poderá perder a lavoura por conta do ataque de insetos. Dessa maneira, a eficiência das sementes Bt pode ser comprometida caso o produtor lance mão, safra após safra, do mesmo método de controle. Por isso é fundamental que os produtores agrícolas sigam corretamente as recomendações das Boas Práticas Agronômicas.

O Brasil tornou-se o segundo maior produtor de transgênicos do mundo porque o produtor viu que a tecnologia Bt funciona. Entretanto, esse desempenho pode estar em risco sem a adoção das Boas Práticas Agronômicas.

Benefícios das Boas Práticas Agronômicas

  1. Sustentabilidade da tecnologia Bt;
  2. Maior eficiência no campo;
  3. Maior qualidade no produto final;
  4. Facilidade no manejo;
  5. Menor tempo gasto em operações;
  6. Redução de perdas na lavoura;
  7. Otimização do uso de defensivos agrícolas.
É importante ressaltar que para obter os resultados esperados é preciso adotar todas as Boas Práticas Agronômicas, e não apenas uma.