Inseticidas: aliados no controle de insetos-praga

Inseticidas são substâncias químicas ou biológicas utilizadas para controlar insetos-praga (ovo, larva e adultos) que atacam e prejudicam as lavouras. Isso faz deles grandes aliados da produtividade e sanidade das culturas. Eles representam um dos diferentes tipos de defensivos agrícolas, que também são usados para controlar doenças e plantas daninhas que afetam as culturas.

A aplicação dos inseticidas é essencial durante todo o ciclo da cultura, pois os ataques de insetos-praga podem iniciar-se desde o plantio até o pós-colheita. Devido a isso, é necessário compreender quais insetos causam danos à lavoura e em quais momentos os estragos são mais graves.

Contudo, a utilização de inseticidas precisa seguir as Boas Práticas Agronômicas, principalmente o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que, por meio do monitoramento de pragas, indica qual o momento certo para a utilização dos insumos.

Cada cultura tem sua lista de inseticidas registrados e autorizados para aplicação na lavoura. Mas isso não impede que um mesmo produto seja registrado para diferentes culturas, especialmente na produção de grãos, onde os insetos-praga, muitas vezes, atacam mais de um alimento. Além disso, um mesmo inseticida é capaz de controlar diferentes espécies de insetos-praga, como lagartas, percevejos e besouros.

Modo de ação dos inseticidas

O conhecimento de detalhes sobre o inseticida é de suma importância na escolha do produto que será utilizado. Alternar a aplicação de insumos com diferentes modos de ação é essencial para que não haja o surgimento de insetos-praga resistentes, ocasionando perda de eficiência do produto.

Modo de Ação: é como o ingrediente ativo que compõe o inseticida irá atuar no organismo do inseto-praga. Ou seja, como ele irá controlar o alvo.

Ingrediente ativo (i.a.): é a principal molécula do inseticida. É o i.a. que causa o efeito de controle do inseto-praga.

Existem diferentes tipos de modos de ação de inseticidas, que variam de acordo com a morfologia e o hábito alimentar dos insetos-praga. Entretanto, cabe pontuar que um mesmo modo de ação pode atingir diferentes espécies.

Modo de ação do inseticidaInsetos-praga
Pulgões, Mosca
Branca e Cigarrinhas
LepdópterasÁcaros
Nervo e músculoXXX
Crescimento e desenvolvimentoXXX
Respiração celularXXX
Intestino médioX
Desconhecido ou não especificadoXXX

Os diferentes tipos de ação afetam a quantidade, a eficiência e a velocidade da transferência da dose para o alvo.

Modos de ação de inseticidas. Adaptado de J. Cooper & H. Dobson 2007.

Devemos levar em conta que os diferentes modos de transferência do inseticida para o inseto podem ter sua eficiência de controle prejudicada quando eles não forem escolhidos de maneira correta.

Um produto de contato direto em spray, por exemplo, pode ter menor eficiência quando comparado a um inseticida de ingestão ou contato residual. Isso ocorre porque o tempo em que o inseto fica exposto ao inseticida é maior no segundo e terceiro casos, resultando em um controle mais eficiente.

Grupos químicos dos inseticidas

Além de podermos classificar os inseticidas pelo modo de ação e forma de transferência do i.a. para o alvo, podemos classificá-los também pelo grupo químico ao qual o princípio ativo pertence.

Consideramos, para melhor entendimento, que os grupos químicos são uma categoria de classificação que vem após o modo de ação dos inseticidas. Em outras palavras: para um inseticida que atua nos nervos e músculos dos insetos, por exemplo, existem vários grupos químicos.

Veja alguns exemplos abaixo:

  1. Carbamatos

    Provenientes do ácido carbâmico, eles são compostos orgânicos e podem ser divididos em carbamatos inseticidas, herbicidas e fungicidas.
    O seu modo de ação é a paralisação de nervos e músculos dos insetos-praga, por meio da inibição da enzima acetilcolinesterase. Os carbamatos possuem baixa ação residual devido à instabilidade química da molécula. No entanto, sua atividade inseticida é considerada alta e com baixa toxicidade a longo prazo.

  2. Piretróides

    São originários de modificações das piretrinas naturais, compostos que foram extraídos das flores do crisântemo. Os piretróides possuem alta eficiência de controle, sendo necessárias doses menores do i.a. para sua eficiência. Devido a isso, sua toxicidade é baixa, tanto para os mamíferos, quanto para o ambiente. Seu modo de ação também se dá pela paralisação de nervos e músculos, bloqueando os canais de sódio nos insetos.

  3. Organofosforados

    São compostos orgânicos derivados do ácido fosfórico e seus homólogos. São muito utilizados no controle de insetos sugadores e que causam desfolha e danos às raízes.
    Os organofosforados também são inibidores da enzima acetilcolinesterase, atuando também nos tecidos nervoso e muscular dos insetos. São biodegradáveis e com baixa persistência no solo (variando de um a três meses).

  4. Reguladores de crescimento

    São grupos químicos que atuam no desenvolvimento do inseto-praga, regulando seu crescimento. Foram desenvolvidos a partir dos hormônios de juvenilidade dos insetos.
    Eles inibem a troca de ecdise do inseto e a produção de quitina, resultando na paralisação do crescimento do inseto. São muito seguros para os mamíferos, porém, são eficientes somente em algumas fases de vida do inseto-praga.

  5. Inibidores da respiração celular

    Esses inseticidas atuam nas mitocôndrias dos insetos, inibindo a formação de ATP ou a cadeia de transporte de elétrons. São muito utilizados no controle de insetos-praga em geral, mas, principalmente nos acaricidas. Possuem uma alta eficiência de controle, porém, uma ação lenta do i.a. no alvo. Alguns exemplos de grupos inibidores da respiração celular são: Diafenthiuron, Organoestânicos, Fosforetos, Carboxanilidas, entre outros.

  6. Bioinseticidas – Bacillus thuringiensis

    Como prática do MIP, a utilização de bioinseticidas é bastante empregada. A bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) já é muito difundida como método de controle de insetos-praga, principalmente em lagartas. A toxina do Bt atua no sistema digestivo do inseto, mais precisamente na membrana do mesêntero.
    A tecnologia de utilização Bt é muito segura para o meio ambiente e para os mamíferos e tem baixo risco de seleção de insetos resistentes. Entretanto, os bioinseticidas também precisam ser usados de forma planejada e com alternância do modo de ação. Por exemplo, utilizar diferentes bioinseticidas em que as bactérias (estirpes) do Bt sejam distintas.
    Além disso, os bioinseticidas podem ter sua aplicação alternada com produtos químicos, mas sem deixar de lado o monitoramento de pragas e de levar em conta o momento certo de aplicação dos produtos, sendo eles químicos ou biológicos. Outra forma de controle dos insetos-praga é a utilização de plantas Bt, que conseguem expressar a mesma toxina encontrada na bactéria, sem nenhum risco comprovado.

Manejo Integrado de Pragas – MIP

O princípio básico do MIP é monitorar a lavoura e aplicar inseticidas somente quando os insetos-praga atingem o nível de dano econômico da cultura – em que a população de insetos é grande o suficiente para prejudicar a rentabilidade.

Para que esse objetivo seja alcançado, o monitoramento de pragas da lavoura deve ser prática rotineira desde o início do desenvolvimento da cultura. O monitoramento proporciona a identificação dos insetos-praga que estão causando danos à cultura, além de sua população, e ajuda a decidir qual o melhor momento para iniciar o controle com inseticidas.

 
Foto de Francisco Henrique

Por Francisco Henrique

Doutor em Agricultura Tropica e Subtropical pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e pesquisador da CiaCamp – da Ciência ao Campo. É colaborador do programa Boas Práticas Agronômicas.