MIP x MRI: entenda o significado dessas siglas

MIP e MRI

Você já deve ter se deparado com as siglas MIP e MRI, certo? Mas será que sabe mesmo o que elas significam? E por que são tão importantes para a manutenção da biotecnologia e da produtividade no campo?

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é um conceito instituído pela comunidade científica na década de 1960, para otimização do controle de pragas agrícolas (como insetos), doenças e plantas daninhas. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esse conjunto de medidas surgiu na Califórnia, Estados Unidos, e foi empregado inicialmente em culturas como soja, algodão e citros. Na década de 1980, começou a ganhar destaque no Brasil.

O MIP é uma estratégia-chave para garantir a proteção da lavoura de maneira econômica e sustentável. Envolve diferentes ferramentas de controle, como produtos químicos, agentes biológicos (predadores, parasitoides, bactérias, fungos e vírus), extratos de plantas, feromônios, variedades Bt (resistentes a insetos), manejo cultural, plantas-iscas e liberação de machos estéreis. O emprego dessas técnicas, de forma planejada e harmônica, é a base para a solidez de um programa de MIP, considerado fundamental para a sustentabilidade das tecnologias de resistência a insetos.

Nesse sistema, que associa o ambiente da lavoura à dinâmica populacional de pragas, o produtor deve lançar mão das boas práticas agronômicas para manter a quantidade de lagartas em níveis abaixo daqueles capazes de causar danos econômicos. O MIP também busca manter o equilíbrio do ecossistema e minimizar os riscos ambientais.

Uma de suas principais recomendações é o monitoramento das áreas para verificar a presença de insetos, o tamanho deles e o nível de danos já provocados nas plantas. Com uma amostragem dessa população, é possível decidir sobre as melhores estratégias de controle a serem adotadas. O monitoramento da plantação é atividade fundamental que não deve ser negligenciada, tanto para pragas-alvo do evento Bt quanto para as consideradas secundárias. O ideal é que essa inspeção seja feita, pelo menos, uma vez por semana, orienta a Embrapa Soja.

Essa avaliação in loco deve ser realizada durante todo o ciclo da cultura. Sua principal função é determinar o momento correto da aplicação de inseticidas e analisar se é necessário fazer mais de uma aplicação ou alternar inseticidas com diferentes mecanismos de ação.

A adoção do MIP ajuda a evitar a calendarização das aplicações, que pode gerar um desequilíbrio entre as pragas nocivas e os inimigos naturais, e representar custos desnecessários e excessivos ao produtor. Também é crucial para evitar ou retardar o desenvolvimento de pragas resistentes. Atualmente, várias medidas de manejo são indicadas para evitar ou retardar a evolução da resistência dos insetos-praga. Dentre as principais, destacam-se as seis boas práticas que o BOAS preconiza: dessecação antecipada, uso de sementes certificadas, tratamento de sementes, adoção de áreas de refúgio, controle de plantas daninhas e monitoramento de pragas.

E o que é MRI?

O Manejo de Resistência de Insetos (MRI), por sua vez, é um conjunto de medidas que estão dentro do MIP e são adotadas para retardar a evolução da resistência de insetos às proteínas Bt. A resistência existe porque, na natureza, há alguns indivíduos raros que sobrevivem à exposição de agentes de controle (como o Bt e inseticidas).

Dentre as estratégias de MRI, destacam-se o plantio de áreas de refúgio (com plantas não Bt) e o uso de eventos piramidados, ou seja, que expressam mais de uma proteína efetiva para o grupo-alvo. Além disso, é importante o uso de alternativas de controle (como inseticidas químicos e controle biológico) quando a infestação de pragas atingir nível de dano econômico.

O refúgio tem como função produzir insetos suscetíveis às proteínas inseticidas que irão se acasalar com os insetos resistentes provenientes das áreas Bt, gerando novos indivíduos suscetíveis e preservando, assim, os benefícios dessa tecnologia. A localização dessa área deve ser estabelecida para garantir o máximo de acasalamentos entre indivíduos da porção Bt e da não Bt. E há muitas sugestões de distribuição espacial (em faixa, bloco, perímetro, pivô central ou em conjunto com outra cultura) do ponto de vista da eficácia biológica.

O controle de plantas daninhas e a adubação do solo também devem ser os mesmos em ambas as áreas, para não dessincronizar os ciclos e haver maiores chances de acasalamento entre os insetos resistentes e os suscetíveis. A rigor, as operações agronômicas são as mesmas nas regiões de refúgio e nas com plantas transgênicas inseticidas, exceto no que diz respeito ao controle dos insetos-alvo.

Entre os fatores determinantes para a evolução da resistência, estão a frequência inicial da resistência, a intensidade de seleção (proporção da população de insetos exposta em cada geração) e o padrão de herança da resistência.

É importante lembrar que um manejo inadequado pode ter como consequência a perda de eficácia da tecnologia no campo. Como resultado desse manejo incorreto e da ameaça de novas pragas, muitos agricultores aumentam o número de aplicações de inseticidas nas lavouras Bt. Na maioria das vezes, porém, a aplicação é feita sem que haja real necessidade, o que resulta na elevação dos custos de produção e em maiores impactos ambientais.



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