MIP incorreto pode causar a perda de tecnologias no campo, alerta Embrapa

Uma pesquisa realizada pela Embrapa concluiu que o manejo inadequado pode provocar a resistência dos insetos e a perda de tecnologias disponíveis nas lavouras. Um dos principais problemas observados foi o excesso de pulverizações, o que têm contribuído para o aumento da tolerância das pragas aos herbicidas e para o ataque de lagartas a plantas Bt. Os problemas foram identificados em fazendas de Mato Grosso durante a terceira edição do Circuito Tecnológico do Milho, evento realizado na Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e conta com a participação da Embrapa e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O relatório gerado a partir do Circuito mostra que 44% dos produtores entrevistados no Mato Grosso não fazem o Manejo Integrado de Pragas (MIP). O estado é o principal produtor de grãos do País, com 23,3% do total, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em algumas regiões do Mato Grosso o índice de agricultores que não adotam as estratégias do MIP chega a 79%.

O resultado da falta de manejo é uma média estadual na qual cerca de 20% dos entrevistados afirmaram não conseguir controlar as pragas das lavouras. De acordo com a Embrapa, a falta de rotação de moléculas, ou princípio ativo dos agroquímicos, é um dos responsáveis pela evolução de resistência dos insetos também a inseticidas.

Refúgio

A pesquisa também que mesmo em lavouras com a presença do  Bt os insetos estão causando danos, fato que é atribuído ao mau uso da tecnologia por parte dos produtores que não adotam as áreas de refúgio recomendadas a fim de evitar que as lagartas se tornem resistentes. Segundo o relatório da Embrapa, 17,7% dos produtores não fazem o refúgio.

Ao não realizar o MIP ou fazê-lo de modo inadequado os produtores podem tornar o refúgio ineficiente. De acordo com o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Rafael Pitta, o uso sem critérios do controle químico acaba matando os insetos suscetíveis, não possibilitando o cruzamento deles com os insetos resistentes. Com isso, surgem gerações somente de insetos resistentes que não serão afetados pelos agentes químicos.

Para acompanhar os problemas e tentar minimizá-los, além de ações de transferência de tecnologia , os pesquisadores da Embrapa já estão fazendo estudos em laboratório com lagartas coletadas nas lavouras durante o Circuito Tecnológico.

Com informações da Embrapa



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