Três novas variedades de algodão transgênico (BRS-430, BRS-432 e BRS-433) estarão disponíveis aos produtores do Centro-Oeste e do Matopiba (região que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) já na safra 2017/2018. São cultivares que apresentam grande potencial produtivo, por conta de sua resistência a insetos e tolerância ao herbicida glifosato. Uma delas, a BRS-433, também é o primeiro algodão transgênico de fibra longa, com qualidade superior para fabricação de roupas.

As novas sementes são adaptadas às condições de produção do Cerrado e foram lançadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Fundação Bahia na 13ª edição da feira de tecnologia agrícola Bahia Farm Show, que terminou no último sábado (3), na cidade de Luís Eduardo Magalhães.

As novas cultivares de algodão têm a tecnologia Bollgard II Roundup Ready Flex (B2RF, da Monsanto), que confere resistência a lagartas e tolerância ao glifosato. “As três cultivares possuem transgenia para resistência a lagartas, com dois genes Bt (da bactéria Bacillus thuringiensis), o que reduz a necessidade de uso de inseticidas. Além disso, possuem resistência ao glifosato, permitindo a pulverização para controle de plantas daninhas, sem necessidade de utilização de herbicidas não seletivos em jato dirigido”, explica o pesquisador Camilo Morello, líder do Programa de Melhoramento Genético do Algodoeiro na Embrapa.

A produtividade média das variedades BRS-430, BRS-432 e BRS-433 é superior a 4.500 quilos (300 arrobas) de algodão em caroço por hectare, podendo chegar a 6 mil quilos (400 arrobas) por hectare. “Nesse lançamento, fechamos um ciclo de 12 a 14 anos de muito trabalho e entramos em uma nova fase de posicionamento estratégico desses materiais para que possam contribuir para alavancar o agro brasileiro e o agro baiano”, disse o chefe-geral da Embrapa Produtos e Mercado, Frederico Ozanan Durães.

Algodão de fibra longa

O algodão de fibra longa (superior a 32,5 mm) tem características que atendem à fabricação de tecidos finos e de luxo, a exemplo dos famosos lençóis e toalhas de fios egípcios. Atualmente, o Brasil importa fibras longas principalmente do Egito, para misturar com fibras médias e produzir um fio de melhor qualidade. Agora, a cultivar BRS-433 pode justamente ajudar a suprir a demanda interna por fibras maiores.

Cerca de 97% da produção mundial de algodão é de fibras curtas e médias. Os outros 3%, compostos por fibras longas e extralongas, são fabricados no Egito, nos Estados Unidos e no Peru. Essas variedades são conhecidas como Giza (egípcia), tipo mais branco, brilhante e resistente, e Pima (americana e peruana), algodão que tem a fibra mais fina e longa do mundo, é macio, brilhante, não forma bolinhas e sua cor natural é “branco cremoso”.