Diversidade de manejo é chave contra resistência no campo, diz pesquisador

Pedro Christofoletti

Professor Pedro Christofoletti, da ESALQ-USP, durante o Congresso do Algodão. Foto: Luna D’Alama

Por Luna D’Alama

Entre os vários desafios que o produtor enfrenta no dia a dia do campo, está a iminência de pragas, doenças e plantas daninhas resistentes a tecnologias e produtos utilizados sistematicamente. Das espécies de daninhas que já apresentam resistência ao herbicida glifosato, por exemplo, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP) Pedro Christofoletti cita o capim-amargoso (Digitaria insularis), o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), a buva (Conyza ssp) – problema maior no inverno, durante a entressafra – e a Amaranthus palmeri – que atinge principalmente os cultivos de algodão nos Estados Unidos.

Christofoletti falou sobre o tema no dia 29 de agosto, durante o 11º Congresso Brasileiro do Algodão, que vai até esta sexta em Maceió. Segundo ele, na literatura mundial, também já há casos de resistência de daninhas ao glufosinato de amônio. “Existem registros de capim-pé-de-galinha resistente a herbicidas na Malásia e de azevém resistente a glifosato e glufosinato nos EUA. Podemos ver isso aqui no Brasil no futuro, então precisamos ter cautela e usar os produtos corretamente”, alerta o professor da ESALQ.

Segundo ele, é fundamental que o agricultor se convença a adotar uma estratégia diversificada de manejo, sem se “acomodar” com as tecnologias disponíveis nem usá-las exclusiva e indiscriminadamente. “Com os atuais problemas, muitos produtores voltam a utilizar os velhos herbicidas”, que têm maior impacto sobre o meio ambiente, aponta Christofoletti.

A diversidade de manejo, de acordo com o pesquisador da USP, deve valer tanto no caso das plantas daninhas quanto no das pragas e doenças. “Não há solução única para os problemas fitossanitários. É necessário pensar em sustentabilidade e a longo prazo na hora de decidir o melhor momento e as doses adequadas de aplicação de cada herbicida”, destaca.

Ênfase nas boas práticas

No dia 30 de agosto, o engenheiro agrônomo Rubem Staudt, da consultoria Astecplan, ressaltou que, se há uma planta de buva ou de capim-amargoso este ano no algodoeiro, pode ter o triplo em 2018, se as medidas recomendadas não forem postas em prática. “É um problema sério que temos para resolver”, diz. O especialista também falou da importância de um monitoramento contínuo de plantas daninhas, doenças e pragas não alvo da biotecnologia, e não apenas quando já se atingiu nível de dano econômico. “As fazendas devem, ainda, investir no treinamento de pessoal, que precisa estar comprometido com essas atividades”, completa.

As boas práticas agronômicas foram tema de outra palestra no Congresso, ministrada pelo coordenador agrícola do Grupo Scheffer em Sapezal (MT), Sergio Vidal de Arruda. Ele enfatizou a necessidade de um esforço conjunto dos produtores para atingir os melhores números de produção e produtividade. “Dependemos também dos nossos vizinhos para adotar as boas práticas, senão os resultados serão muito inferiores ao que esperamos”, avalia.

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