Campeão em produtividade de soja é exemplo de boas práticas agronômicas

Os produtores Themudo e Octaviano Camargo Silva

Os produtores Octaviano Raymundo e Octaviano Themudo Camargo Silva (pai e filho). Foto: Luna D’Alama

Por Luna D’Alama

O maior produtor nacional de soja em área irrigada do País é do interior paulista e segue os passos do pai, que iniciou seu negócio há 30 anos, com pecuária, e depois migrou para a agricultura. O engenheiro mecânico com pós-graduação em administração de empresas Octaviano Themudo Camargo Silva, filho de Octaviano Raymundo Camargo Silva (foto acima), é responsável pela Fazenda Siriema do Lago, em Bernardino de Campos (SP), a cerca de 350 quilômetros da capital. Na propriedade de 900 hectares, 65% deles irrigados, ele dá exemplo de boas práticas agronômicas.

O produtor obteve, na safra 2016/2017, 106,4 sacas de soja por hectare, feito que lhe rendeu um troféu e o reconhecimento público no Fórum Nacional de Máxima Produtividade, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) no dia 13 de junho, em Passo Fundo (RS). A média geral da fazenda ficou em 83,5 sacas por hectare. E o resultado foi obtido em parceria com o consultor e engenheiro agrônomo Antonio Luiz Fancelli, que foi uma vez por mês ao local para monitorá-lo e propor os ajustes necessários ao solo e à lavoura.

“A área se desenvolveu superbem, não fizemos nada fora do comum. Buscamos sementes mais graúdas [a utilizada foi uma Bt, resistente a insetos], fizemos correções de solo e monitoramento de plantas daninhas, doenças foliares e pragas como percevejos. Ao lado, plantamos um refúgio não Bt, com resistência ao glifosato”, detalha Octaviano, que optou pelo plantio direto em área irrigada por uma questão de estabilidade. “Assim temos mais safras por ano”, explica ele, que vive e trabalha em uma região alagada e de bastante agricultura, cheia de represas e riachos.

A semeadura da soja ocorreu em setembro de 2016 e a colheita, em fevereiro deste ano. Depois disso, os produtores plantaram milho e, agora, virá a soja outra vez. Desde 2000, Octaviano pai e filho rotacionam a lavoura, na época com batata, milho e feijão. A partir de 2004, entrou o trigo; em 2012, a cevada; e então veio a soja. De vez em quando, eles ainda cultivam batata e tomate, que enriquecem o solo com nutrientes.

“Nosso resultado é um conjunto de fatores e parcerias. Trabalhamos com as características do nosso solo, fazemos compactação. O maior desafio hoje é primar pela técnica, mas pensando em um ciclo a longo prazo, com rotação para manutenção da terra. São necessários um bom manejo, uma boa distribuição de plantas, pulverizações, fungicidas e tratamentos na hora certa, principalmente de forma preventiva. Funcionários engajados e dedicados também são essenciais. E uma colheita bem feita é fundamental para evitar perdas no campo”, destaca Octaviano filho.

Na opinião dele, os principais desafios para a adoção das boas práticas agronômicas são: alto custo, orientações técnicas confusas e falta estímulo por parte das empresas, entre outros.

DESAFIO NACIONAL

O presidente do CESB, Luiz Nery Ribas, afirma que, em nove edições do Desafio Nacional de Máxima Produtividade, tem sido possível acompanhar a evolução tanto no número de inscrições (que saltaram de 140 para 5.500) quanto nos resultados, com maior inovação tecnológica, novos cultivares e diversos fatores que, convergentes, chegam à máxima produtividade.

“É muito importante para o Brasil que haja um desafio aos produtores. É uma forma de provocá-los, de estimulá-los e de desafiar sua área comercial, para que eles tenham renda e resultados efetivos”, avalia.

Segundo Ribas, nada acontece por acaso de uma safra para outra, nem de um ano para outro. “A produtividade é trabalhada e construída com tempo, planejamento, organização, histórico da área e uso da ciência”, finaliza.

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