2017: o ano do refúgio no Brasil

Quando se trata da agricultura brasileira os números são sempre expressivos e o crescimento contínuo. Na safra 2016/2017 o País deverá colher 213,1 milhões de toneladas de grãos, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um aumento de 14,2% em relação à safra anterior. Na adoção de biotecnologia, os números também impressionam. De 2011 para 2015 a área plantada com culturas transgênicas no Brasil saltou de 30,3 milhões de hectares para 44,2 milhões de hectares, resultando em uma adoção média de 90% da área total cultivada com milho, soja e algodão.

Apesar desse cenário de expansão produtiva e tecnológica ainda falta ao País dar a grande guinada em um indicador em especial: a taxa de adoção do refúgio. Empresas produtoras de sementes, cooperativas, acadêmicos e muitos produtores já iniciaram um movimento para evitar a perda da tecnologia Bt (sementes transgênicas resistentes a insetos) e o crescimento da população de pragas resistentes. Durante a safra 2015/2016 o assunto esteve presente na programação de congressos do setor, feiras agrícolas e dias de campo, mas é na temporada 2016/2017 que a disseminação desse conhecimento deve fazer a diferença no campo.

O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) é uma das entidades engajadas na preservação da tecnologia Bt por meio do Boas Práticas Agronômicas. Desde julho de 2015, o programa já percorreu 31 cidades de 9 estados produtores, impactando 10 mil agricultores por meio de atividades interativas e uma equipe de profissionais para tirar dúvidas técnicas.

A diretora-executiva do CIB, Adriana Brondani, explica que o investimento em educação tem sido fundamental para a preservação da biotecnologia no campo. “A adoção das sementes Bt no Brasil é reflexo da eficiência da tecnologia no controle de pragas, entretanto, a manutenção do desempenho esperado está vinculada ao emprego das Boas Práticas Agronômicas”, disse, destacando o refúgio como a ferramenta mais eficaz em retardar o aparecimento de resistência de pragas nos países com maior histórico de uso destas tecnologias.

Para o entomologista José Magid Waquil o nível de conhecimento do produtor melhorou bastante e uma resposta no campo deve ser observada na próxima safra. “As informações sobre o manejo correto da biotecnologia foram bastante difundidas e com a intensificação de várias campanhas, palestras e ações junto ao produtor, a expectativa é que nessa safra a adoção se dê da maneira adequada”, afirmou o especialista.

As sementes Bt tiveram rápida adesão no País devido aos seus benefícios – além de reduzir as perdas com ataques de insetos, a tecnologia também reduz o uso de defensivos químicos – e hoje são utilizadas em todas as regiões produtoras. A manutenção do desempenho esperado, entretanto, está vinculada à adoção do refúgio. Essa estratégia é fundamental para proteger a produtividade da agricultura brasileira.

Como fazer o refúgio:

Deve ser feito na mesma época que o plantio da semente Bt, com híbridos de ciclo vegetativo similar;

Deve ser realizado na mesma propriedade do cultivo da cultura Bt e, preferencialmente, com o mesmo sistema de produção;

É fundamental que as áreas de refúgio estejam localizadas à distância máxima de 800 metros da lavoura com a tecnologia Bt (para talhões com dimensões acima de 800m cultivados com sementes Bt serão necessárias faixas de refúgio internas);

O tamanho da área refúgio depende do total plantado com soja, algodão ou milho Bt (20% da área Bt no caso de soja e algodão e 10% no caso do milho);

Durante o manejo deve-se fazer um uso racional de inseticidas (ou outras alternativas de controle) nas áreas de refúgio;

Os produtores podem encontrar mais informações técnicas e enviar perguntas aqui no site do BOAS.