Você já sabe que por meio da biotecnologia as plantas podem ter sua composição genética modificada, aumentando sua eficiência. No caso do milho, a sua variedade transgênica, comercializada no Brasil e conhecida popularmente como Bt, possui uma característica inseticida que tem se mostrado como a melhor alternativa para minimizar os danos causados por insetos-pragas nas lavouras, sem causar problemas aos produtores, aos consumidores ou ao ambiente.

O milho Bt é obtido por meio da transformação genética entre a cultura com genes da bactéria Bacillus thuringiensis, responsáveis por promover a expressão de proteínas com ação inseticida. Um trabalho que exige muita pesquisa, investimento e tempo, por isso é tão importante o plantio do refúgio.

A evolução da resistência de pragas é o maior desafio para o uso de culturas que expressam proteínas Bt. Sendo assim, a implementação de um programa efetivo de Manejo da Resistência de Insetos (MRI) é essencial. A adoção de áreas de refúgio é a principal ferramenta dos programas de MRI e tem sido eficaz em retardar o aparecimento de resistência em pragas.

O manejo eficiente das principais pragas-alvo pelas proteínas Bt protege o potencial produtivo dos híbridos de milho e contribui para a racionalização do uso de inseticidas. Atualmente, os eventos Bt têm diferentes níveis de controle para cada espécie-alvo e sua utilização pode ser considerada uma tática complementar no Manejo Integrado de Pragas (MIP).

A variedade de milho Bt, disponível hoje no mercado brasileiro, expressa a ação inseticida apenas contra os insetos da ordem lepidóptera, como, por exemplo, a lagarta-do-cartucho-do-milho, a broca-do-colmo, a lagarta-da-espiga e a lagarta-elasmo.

O monitoramento é especialmente necessário para o MIP na cultura do milho e a decisão de realizar ou não uma aplicação complementar de inseticida na lavoura depende de uma boa amostragem. Para realizar esse procedimento com a lagarta-do-cartucho, deve-se amostrar 20 plantas em sequência, em pelo menos 5 pontos da lavoura, totalizando 100 plantas. A avaliação do nível de ação para esse inseto é feita com base em uma escala visual de danos de zero a nove (0 – 9), conhecida como Escala Davis. O nível é atingido quando 20% das plantas apresentam nota igual ou superior a 3.

 

Dica do Boas: Após o cultivo do milho, é comum a ocorrência de germinação de grãos remanescentes da colheita anterior de forma espontânea. A quantidade e o momento de germinação do milho, produzindo tigueras, dependem de vários fatores, sendo a qualidade anterior um dos mais importantes. Entre outros fatores, um dos destaques é o herbicida chamado graminicida, que consiste na principal ferramenta de manejo dessas plantas. Também é necessário realizar o controle das plantas voluntárias até o estágio V3/V4 a fim de obter controle rápido e de modo consistente. É recomendável ainda evitar a matocompetição com a cultura subsequente de soja, fazendo o manejo precoce das plantas voluntárias.

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